Doutrina da Trindade: A Crença na Unidade e Distinção Divinas

A Doutrina da Trindade é afirmada e seguida pela maioria dos cristãos, negada e rejeitada por uma minoria dos seguidores do cristianismo, também, pelas religiões unicistas.

A Doutrina da Trindade é um conceito fundamental da teologia cristã, que afirma a existência de um único Deus em três pessoas distintas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Esta doutrina é amplamente aceita pelas principais denominações cristãs, como a Católica Romana, a Ortodoxa Oriental, a Anglicana e a Protestante. Neste artigo, exploraremos a origem, a importância, a divindade e as pessoas divinas da Doutrina da Trindade, bem como suas relações com a salvação, a cristologia e a pneumatologia.

Trindade
Pai — Filho — Espírito Santo

Se você está lendo este artigo, caro amigo leitor! Provavelmente, você tem muitas dúvidas ou curiosidade de saber mais sobre este tema. Então, continue lendo, pois, neste tratado, realizaremos uma apresentação bíblica e, também, uma explanação racional e lógica para mostrar que crer na Trindade não é oriunda de uma fé cega e irracional, ou seja, um tiro no escuro.   

Doutrina da Trindade

A Divindade na Doutrina da Trindade

A Doutrina da Trindade afirma que existe um único Deus, mas em três pessoas distintas e coiguais: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada pessoa divina é distinta, mas não separável, da outra. A Doutrina da Trindade afirma ainda que cada pessoa divina é completamente divina e que a essência divina é uma só.

A crença em um Deus único

A Doutrina da Trindade afirma a existência de um único Deus, o qual é o Criador e Sustentador de todas as coisas. Essa crença é essencialmente monoteísta e afirma não haver outros deuses além de Deus.

Existem muitas razões para se crer na Doutrina da Trindade, inclusive, pela própria assinatura do Criador na sua criação. Ele criou e registrou por evidências visíveis nas coisas criadas.

As Pessoas Divinas na Doutrina da Trindade

A Doutrina da Trindade afirma a existência de três pessoas divinas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Cada uma dessas pessoas divinas é completamente divina e eterna.

Deus Pai

Deus Pai é a primeira pessoa da Trindade. Ele é considerado o Pai eterno, Criador do universo e Pai de todos os seres humanos. Ele é o governante soberano do universo e o juiz final de todas as coisas.

Deus Filho

Deus Filho, também conhecido como Jesus Cristo, é a segunda pessoa da Trindade. Ele é o Filho eterno de Deus Pai e se tornou humano por meio do nascimento virginal. Ele viveu uma vida sem pecado, morreu na cruz pelos pecados da humanidade e ressuscitou dentre os mortos. Ele é o Salvador da humanidade e o mediador entre Deus e os seres humanos.

Deus Espírito Santo

Deus Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade. Ele é o Consolador enviado por Jesus Cristo para guiar, ensinar e santificar os crentes. Ele é a presença de Deus na vida dos crentes e é responsável pela santificação e capacitação espiritual dos crentes para o serviço de Deus.

A Relevância da Doutrina da Trindade na Teologia

A Doutrina da Trindade é essencial para a teologia cristã, pois afirma a unidade e a diversidade divinas e explica a relação entre Deus e a humanidade.

A relação entre a Doutrina da Trindade e a Salvação

A Doutrina da Trindade afirma que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação e que a salvação é concedida por Deus Pai por meio de Jesus Cristo e habilitada pelo Espírito Santo. A Doutrina da Trindade também afirma a soberania de Deus Pai e a liberdade humana.

A Doutrina da Trindade e a Cristologia

A Doutrina da Trindade afirma a divindade e a humanidade de Jesus Cristo e explica como essas duas naturezas se relacionam entre si. A Doutrina da Trindade também afirma a redenção através da morte e ressurreição de Jesus Cristo e a relação entre o Filho e o Pai.

A Doutrina da Trindade e a Pneumatologia

A Doutrina da Trindade afirma a divindade e a personalidade do Espírito Santo e explica a relação entre o Espírito Santo e o Pai e o Filho. Também afirma o papel do Espírito Santo na santificação, na capacitação e na unificação dos crentes.

Trindade na Bíblia

A palavra Trindade não aparece nenhuma vez em nenhum livro da Bíblia. Eis aí a razão dos unicistas negarem a Doutrina. Embora, não existir esta palavra na Bíblia, no entanto, ela está implícita nas entrelinhas da maioria dos livros do Antigo e do Novo Testamento.

Tertuliano, um dos pais da igreja que viveu nos anos de 160 a 220 d.C. em Cartago, é acusado pelos opositores da Doutrina da Trindade de ter criado esta Doutrina. Esta acusação é injusta, pois, ele não a criou, mas, apenas sistematizou o que já era evidente nas páginas da Bíblia.

Doutrina da Trindade afirmada no Concílio de Constantinopla

A Doutrina da Trindade é afirmada na reunião do segundo Concílio de Constantinopla no ano 381 d.C. Confira abaixo:

“Cremos em um Deus, o Pai Todo-poderoso, criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado do Pai antes de todas as eras, luz de luz, verdadeiro Deus, de verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma substância [homoousios] com o Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas… E no Espírito Santo, o Senhor e doador da vida, que procede do pai. Com o Pai e o Filho Ele é adorado e glorificado.”

Pensamento cristão, volume 1, Lane Tony, Abba Press

Exposição Bíblica a favor da Doutrina da Trindade

  • A Trindade na criação do Universo. Gênesis 1:2
  • A Trindade na criação do homem. Gênesis 1:26
  • A Trindade na bênção apostólica. 2 Coríntios 13:13
  • A Trindade no batismo de Jesus. Mateus 3:13-17

Cada pessoa da divindade é declarada como sendo Deus

  • O Pai é Deus: Mateus 6:8 — Mateus 7:21
  • O Filho é Deus: João 1:1-18 — Romanos 9:5 — Colossenses 2:9 — Tito 2:13 — Hebreus 1:8 -10
  • O Espírito Santo é Deus: Marcos 3:29 — João 15:26 — 1Coríntios 6:19 ss — 2 Coríntios  3:17 ss

Doutrina da Trindade e Eternidade

O Pai é Eterno

“Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses à terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.”

Salmos 90:2

“Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno…”

Romanos 16:26

O Filho é Eterno

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.”

Apocalipse 1:8

“Ele estava no princípio com Deus.”

João 1:2

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”

Miquéias 5:2

“…e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

Isaías 9:6

O Espírito Santo é Eterno

“Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus…”

Hebreus 9:14

Trindade e Onisciência

O Pai é Onisciente

“Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um conforme a sua conduta, conforme as suas obras.”

Jeremias 17:10

O Filho é Onisciente

“…Então, todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações…”

Apocalipse 2:23

O Espírito Santo é Onisciente

“…Da mesma forma, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus”.

1 Coríntios 2:11

Trindade e Poder

  • O Pai tem Poder: 1Pedro 1:5
  • O Filho tem Poder:  2 Coríntios 12:9
  • O Espírito Santo tem Poder:  Romanos 15:19

Às três pessoas da Trindade se relacionam

  • O Pai dá testemunho de Si mesmo: Êxodo 20:2
  • O Pai dá testemunho do Espírito Santo: Zacarias 4:6
  • O Filho dá testemunho do Pai: João 14:12
  • O Filho dá testemunho de Sí mesmo: João 14:16
  • O Filho dá testemunho do Espírito Santo: João 16:13-14
  • O Espírito Santo dá testemunho do Pai: Hebreus 3:7-11
  • O Espírito Santo dá testemunho do Filho: João 14:15

CREDO DE ATANÁSIO

Para melhor compreender a Doutrina da Trindade, veja o CREDO DE ATANÁSIO, formulado no século V

“Mas a fé universal é esta, adoramos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado. O Pai é Eterno, o Filho é Eterno, o Espírito Santo é Eterno. Contudo, não há três eternos, mas um eterno. Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é Onipotente. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou Senhores. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor. Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a trindade em unidade deve ser cultuada. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade. Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem. Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; homem nascido no tempo da substância da sua mãe. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Em cuja vinda, todo homem ressuscitará com seus corpos, e prestarão conta de suas obras. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno. Esta é a fé Universal, exceto se um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo”.

Credo de Atanásio

Doutrina da Trindade — Assinatura do Criador na natureza

Doutrina da Trindade — Como pode três Pessoas distintas serem um único Deus? O princípio supremo da lógica é a lei da não contradição, ou seja, uma coisa não pode ser e não ser em simultâneo, principio e relação.

Eis aí um campo minado para o cristão. Diz o ateu: se é 1, então, não pode ser 3. Tampouco, 3 pode ser 1. Para responder tais indagações é só olhar para a própria criação de Deus, observem as analogias:

O SOL

Doutrina da Trindade

O sol é um, todavia, se manifesta de três formas. Sol — Luz — Calor. Quando o dia vai clareando as pessoas dizem que é o sol que está iluminando, na realidade, é a luz do sol que clareia o dia. Todavia, sem o sol não haveria claridade. Sendo assim, observa-se duas manifestações de um único sol.

Quando alguém anda em lugares abertos num dia ensolarado, diz que o sol está lhe queimando. Todavia, o que queima é o calor e não o sol. O astro-rei está a milhões de quilômetros daqui, no entanto, aquece e clareia a terra sem precisar descer até aqui.

Não se pode fixar os olhos no sol sem sofrer nenhum dano. Quanto mais alguém pode ver Deus que é o Criador do sol. Não se pode ver o Espírito Santo, do mesmo jeito que não se pode ver o calor do sol. Entretanto, podemos sentir o Espírito, assim como o calor do sol. Assim como vemos a luz do sol, também, Jesus, a luz do mundo, foi visto.

A ÁGUA

Doutrina da Trindade

Pegue um litro de água e despeje em três recipientes diferentes, embora, seja três, no entanto, é apenas uma. Agora leve uma destas vasilhas ao fogo e coloque a outra num freezer.

A água quando aquecida vira vapor e a congelada se transforma em gelo. Eis aí a assinatura do Criador, a água se manifestando em três formas (água, gelo e vapor), todavia, é uma unidade. Basta deixar o gelo derreter e o vapor voltar a ser água, misture tudo de novo e tente identificar o que era gelo e vapor, impossível. Assim é a Trindade, Pai, Filho e Espírito, em uma unidade.

A ELETRICIDADE

Este fenômeno também se manifesta em três formas: A carga elétrica transportada por cabos não se pode ver, mas, se você pegar nos cabos energizados, pode sentir.

A eletricidade produz luz que pode ser vista, assim como Jesus , o qual, sendo luz se tornou visível ao mundo. A luz produz calor que não é visível, entretanto, podemos senti-lo. Assim também sentimos o calor do Espírito Santo.

O Debate Sobre a Doutrina da Trindade

Embora a Doutrina da Trindade seja amplamente aceita pelas principais denominações cristãs

, houve controvérsias e debates em torno dela ao longo da história da Igreja.

A Controvérsia Arianista

A controvérsia arianista ocorreu no século IV e foi centrada na natureza de Jesus Cristo. O arianismo negava a divindade de Jesus Cristo e argumentava que ele era uma criatura criada por Deus Pai. O Concílio de Nicéia em 325 d.C. rejeitou o arianismo e afirmou a divindade de Jesus Cristo.

A Controvérsia Macedoniana

A controvérsia macedoniana ocorreu no final do século IV e início do século V e foi centrada na natureza do Espírito Santo. O macedonianismo argumentava que o Espírito Santo era uma criatura criada por Deus Pai e não uma pessoa divina. O Concílio de Constantinopla em 381 d.C. rejeitou o macedonianismo e afirmou a divindade do Espírito Santo.

A Controvérsia Filioque

A controvérsia filioque ocorreu no século XI e foi centrada na frase “e do Filho” (filioque) no Credo Niceno-Constantinopolitano. A Igreja Católica Romana adicionou a frase ao credo, afirmando que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. A Igreja Ortodoxa Oriental rejeita a adição da frase e afirma que o Espírito Santo procede apenas do Pai.

Considerações Finais

O homem é a coroa da criação de Deus. Foi criado a imagem e semelhança do Criador. Deus é uma Trindade e para refletir sua imagem o homem é tripartido, corpo, alma e espirito.

Falo comigo e, ao mesmo tempo, me ouço. Estou constantemente arrazoando comigo. Seria, então, uma estupidez as pessoas da Trindade falarem entre Si, sendo uma unidade? Não, é perfeitamente compreensível.

Youtube

ADILSON CARDOSO

Adilson Cardoso: Teólogo, Filósofo — Professor de Filosofia, Teologia, Hebraico e Grego.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.