Determinismo — Fatalismo — Livre Arbítrio

Determinismo, fatalismo e livre-arbítrio são conceitos filosóficos que buscam entender a relação entre as escolhas humanas e o destino. A discussão em torno desses conceitos é antiga e complexa, com muitas teorias e pontos de vista divergentes. Neste artigo, vamos explorar o significado de cada um deles e como eles se relacionam entre si.

Determinismo - Fatalismo – Livre Arbítrio

As Três Teorias

O que é determinismo?

O determinismo é a perspectiva filosófica de que todos os eventos, incluindo as ações humanas, são determinados por causas anteriores. De acordo com essa visão, todas as escolhas e ações que tomamos são o resultado inevitável de influências passadas, como a genética, o ambiente e a educação. O determinismo é frequentemente associado à ideia de que o livre-arbítrio é uma ilusão, pois nossas ações são determinadas por fatores que estão fora do nosso controle.

Existem vários exemplos de determinismo na vida cotidiana. Por exemplo, a biologia pode determinar o gênero de uma pessoa, a cor dos olhos e outras características físicas. O ambiente em que uma pessoa cresce pode influenciar suas crenças, valores e atitudes. A educação pode determinar o conhecimento e as habilidades de uma pessoa. Além disso, as teorias deterministas são comuns em muitos campos, incluindo a física, onde a lei da gravidade de Isaac Newton é um exemplo de determinismo causal.

O que é Fatalismo?

Fatalismo é a crença de que o destino é inevitável e que as pessoas não têm controle sobre seus próprios destinos. De acordo com essa visão, tudo o que acontece no futuro é determinado por alguma força maior, como um deus, destino ou destino. Portanto, as pessoas são impotentes para mudar seu destino e devem simplesmente aceitar o que acontece.

Fatalismo Lógico

O fatalismo lógico é uma forma de fatalismo que se concentra na ideia de que o futuro é determinado por leis lógicas em vez de por uma força externa. De acordo com essa visão, os eventos futuros são inevitáveis e não podem ser evitados, independentemente das escolhas ou ações humanas.

Isso ocorre porque as leis lógicas que governam o universo são consideradas infalíveis e imutáveis. Embora o fatalismo lógico seja semelhante ao determinismo em muitos aspectos, a ênfase na lógica em vez de em causas anteriores o torna uma perspectiva única dentro da discussão mais ampla sobre a relação entre livre-arbítrio e destino.

Fatalismo Teísta

O fatalismo teísta é uma perspectiva filosófica que argumenta que o futuro é determinado por um poder superior, geralmente associado a uma divindade. De acordo com essa visão, o destino humano é predestinado por Deus ou pelos deuses, e as ações humanas têm pouco ou nenhum efeito no curso dos eventos.

Em outras palavras, tudo o que acontece é parte de um plano divino que já foi estabelecido e que não pode ser alterado. O fatalismo teísta tem raízes em várias religiões, incluindo o cristianismo, o islamismo e o judaísmo, onde a predestinação é um conceito fundamental. No entanto, a ideia também tem sido criticada por aqueles que acreditam na liberdade humana e no livre-arbítrio.

O que é livre-arbítrio?

Livre-arbítrio é a crença de que as pessoas têm a capacidade de escolher suas próprias ações e, portanto, são responsáveis por elas. De acordo com essa visão, as pessoas são livres para tomar decisões independentemente de influências externas. O livre-arbítrio é frequentemente associado à responsabilidade moral, uma vez que as pessoas são consideradas responsáveis pelas escolhas que fazem.

Um conceito mais recente é o do livre arbítrio, que pressupõe que tudo o que acontece é pela vontade do homem, e que tudo o que ele pensa, tudo o que ele consegue, enfrenta as consequências correspondentes. O livre arbítrio é um conceito filosófico tradicional utilizado para denotar a crença de que o comportamento humano não é absolutamente determinado por fatores externos, mas é o resultado de escolhas feitas como resultado do ato de vontade do agente. Tal escolha não é absolutamente determinada por causas externas, mas sim pelos motivos e intenções do agente.

Domínios discutíveis

Em suma, a área de debate sobre a liberdade humana e o determinismo causal tem dois polos. A primeira é a ideia de que a nossa vontade é essencialmente ‘absolutamente livre’, embora possa ser ‘condicionada’ pelas várias circunstâncias que rodeiam cada indivíduo. O outro polo é a doutrina extrema do fatalismo total ou do determinismo causal imutável. Alguns pontos de vista situam-se entre estes ‘extremos’.

A maioria dos pensadores nas ciências sociais, históricas e políticas, bem como os que contribuem para algum senso comum, especialmente nas culturas modernas e ocidentalizadas, afastam-se largamente de ambos os polos.

Determinismo versus Livre-arbítrio

O determinismo e o livre-arbítrio são frequentemente vistos como opostos, uma vez que o determinismo sugere que as ações humanas são previsíveis e inevitáveis, enquanto o livre-arbítrio sugere que as pessoas têm a capacidade de escolher suas próprias ações. Essa tensão entre determinismo e livre-arbítrio levou a muitas discussões e debates na filosofia e na cultura popular.

Determinismo radical versus determinismo moderado

Existem duas visões principais de determinismo: o determinismo radical e o determinismo moderado. O determinismo radical afirma que todas as ações humanas são completamente determinadas por causas anteriores, enquanto o determinismo moderado sugere que apenas algumas ações humanas são determinadas dessa forma.

Compatibilismo

Outra visão sobre a relação entre determinismo e livre-arbítrio é o compatibilismo. Essa teoria afirma que determinismo e livre-arbítrio não são mutuamente exclusivos e podem coexistir. Conforme o compatibilismo, as pessoas têm livre-arbítrio, mesmo que todas as ações sejam determinadas por causas anteriores. Isso ocorre porque a definição de livre-arbítrio é simplesmente a capacidade de fazer escolhas independentemente de influências externas.

Determinismo versus fatalismo

Embora o determinismo e o fatalismo tenham algumas semelhanças, suas diferenças são significativas. O determinismo não nega a existência da liberdade ou do livre-arbítrio, mas argumenta que essas escolhas são limitadas pelas circunstâncias e influências anteriores. O fatalismo, por outro lado, sugere que as pessoas são impotentes para mudar o curso dos eventos e que suas ações são fúteis.

É importante notar que tanto o determinismo quanto o fatalismo são ideias controversas e muitas vezes debatidas. Alguns filósofos argumentam que o determinismo é incompatível com a existência do livre-arbítrio e que a crença no fatalismo é uma forma de escapismo ou uma desculpa para a inação. No entanto, outros argumentam que o determinismo é uma forma de aceitação e que a crença no fatalismo pode levar a uma maior apreciação da vida e do momento presente.

Em última análise, a compreensão das diferenças entre o determinismo e o fatalismo pode ajudar as pessoas a refletir sobre suas crenças e valores pessoais e a tomar decisões mais informadas e responsáveis. Embora as perspectivas filosóficas possam ser complexas e muitas vezes debatidas, elas também podem oferecer uma visão valiosa sobre a natureza do universo e do nosso lugar nele.

Determinismo - Fatalismo – Livre Arbítrio

Acordos cooperativos

Se excluirmos ambos os extremos, nem fatalismo, nem livre arbítrio, então o que realmente acontece. A resposta pode ser classificada como “destino comum”. Por evento com destino comum quero dizer que “nenhuma ação se deve inteiramente ao livre arbítrio ou ao destino, mas ambos os gigantes têm uma mão na massa”. Agora, no que diz respeito ao primeiro exemplo citado com o médico, pode dizer-se o seguinte.

Alguns eventos são complexos e ‘condenados’. É uma mentira dizer que chamar um médico curará uma doença; talvez a doença seja curada porque o médico é chamado a tratá-la. Chamar um médico e ficar bem é uma ‘vida em conjunto’. Portanto, agir com convicção é eficaz e leva à recuperação. Por conseguinte, não nos devemos limitar a sentar e assistir.

No entanto, isto não significa que a posição fatalista seja destruída. Porque tal como a sua recuperação estava predeterminada (se tivesse conhecimento disso), também teria chamado um médico. Mas se o evento quando chamou o médico foi causado por circunstâncias anteriores (e segundo o determinismo causal, todos os eventos são tais), então em que sentido se pode considerar que exerceu o livre arbítrio?

Para entender, observe a analogia de um único rolamento de cilindro. Há neles duas causas diferentes em ação. Empurra-se o cilindro para o pôr em movimento. Esta é a ‘causa auxiliar ou direta’, que pode ser chamada a ‘causa externa’. A outra é que o cilindro tem uma forma circular. Esta é a “causa completa e primária”, que pode ser chamada a “causa interna”.

Pode ser tentador argumentar que o redondo não é uma causa. É uma propriedade do cilindro, tal como um cilindro é vermelho se for vermelho e pesado. A cor ou o peso do cilindro não afeta a sua capacidade de rolar. Um cilindro azul e leve também irá rolar, mas a sua redondeza irá afetar a forma como rola.

Pode-se argumentar que a circularidade é uma condição necessária para o cilindro rolar, tal como o empurrar é uma condição necessária para o cilindro rolar. No entanto, se tanto a circularidade como a extrusão estivessem presentes, poder-se-ia presumir que a laminagem era suficiente.

É notório que tanto as causas externas como internas são causas corretamente localizadas na cadeia causal que compõe toda a história do mundo. A causa externa do rolamento tem a ver com o balanço dos nossos pés sobre o cilindro, e a causa interna da circularidade do cilindro tem a ver com o processo de fabricação que o produziu. E o próprio rolo pode ser considerado como a causa de algo mais, tal como uma ovelha a ser atropelada, ou um salpico num riacho, ou ambos. Em suma, nada aconteceu que contradiga o determinismo causal.

Os exemplos citados acima podem ser entendidos da seguinte maneira: Deus decide algumas coisas com antecedência e deixa o resto nas nossas mãos. Dependendo do que escolher, receberá consequências, e isso significa o seu bom ou mau comportamento.

Podemos perguntar aqui onde está o limite que separa os dois conceitos, se tudo não é livre arbítrio ou destino, mas um composto de ambos. Isto é mostrado no exemplo acima. Portanto, Deus deu-nos poder e vontade, mas estamos limitados por esse poder, neste círculo podemos agir conforme o nosso livre arbítrio, que determina tudo.

Defensores do Determinismo, Fatalismo e Livre-Arbítrio

Existem muitos filósofos e pensadores que defendem diferentes perspectivas sobre o determinismo, o fatalismo e o livre-arbítrio. Alguns dos mais conhecidos incluem:

  • Determinismo: filósofos como Baruch Spinoza, Thomas Hobbes e Albert Einstein defendiam uma visão determinista do universo. Alguns psicólogos e neurocientistas também adotam uma abordagem determinista para entender o comportamento humano.
  • Fatalismo: algumas religiões, como o islã e o cristianismo calvinista, incluem crenças fatalistas em sua doutrina. Também há filósofos, como Jean-Paul Sartre, que argumentam que o futuro é determinado e que as pessoas são impotentes para mudá-lo.
  • Livre-arbítrio: filósofos como Immanuel Kant, Jean-Jacques Rousseau e John Locke argumentam que o livre-arbítrio é fundamental para a moralidade e a responsabilidade individual. Algumas religiões, como o judaísmo e o cristianismo arminiano, também defendem a existência do livre-arbítrio.

É importante notar que essas perspectivas filosóficas são complexas e muitas vezes debatidas, e que diferentes filósofos e pensadores podem ter abordagens diferentes para entender a natureza da liberdade, da determinação e do destino humano.

Entendendo a Predestinação — Carta aos Efésios

Este Artigo apresenta Teorias Filosóficas e não reflete o pensamento do Autor deste Site.

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ADILSON CARDOSO

Adilson Cardoso: Teólogo, Filósofo — Professor de Filosofia, Teologia, Hebraico e Grego.

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