Introdução – Preterista ou Futurista
Preterista ou Futurista – O livro de Apocalipse é um dos textos mais fascinantes e desafiadores das Escrituras. Sua linguagem simbólica e profética desperta debates há séculos, principalmente sobre quando e como suas profecias se cumprirão. Uma das perguntas mais comuns é: João estava falando do passado, do presente ou do futuro?
A palavra “Apocalipse” vem do grego apokálypsis, que significa “revelação” — ou seja, algo oculto que é trazido à luz por Deus. Isso nos leva a um ponto essencial: revelação pressupõe futuro, não passado. Afinal, que sentido faria Deus arrebatar João em espírito para mostrar eventos que já haviam acontecido?
Neste artigo, vamos comparar duas grandes correntes escatológicas: o preterismo e o futurismo. Também analisaremos o polêmico capítulo 17 de Apocalipse e mostraremos por que a identificação da besta com o papado romano não é teoria da conspiração, mas parte de uma linha interpretativa séria, lógica e bíblica.

Preterista ou Futurista
O que é o Preterismo?
O preterismo ensina que a maioria (ou a totalidade) das profecias do Apocalipse já se cumpriu no primeiro século, especialmente com a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Para os preteristas, a besta seria o imperador romano Nero, e a Grande Tribulação já aconteceu.
Porém, essa teoria esbarra num problema histórico importante: João escreveu o Apocalipse por volta do ano 95 d.C., décadas após a morte de Nero (68 d.C.). Isso significa que, se o Apocalipse fosse apenas sobre Nero e a destruição de Jerusalém, João estaria recebendo uma “revelação” do passado, o que contradiz totalmente o sentido profético do livro.
Além disso, o próprio texto de Apocalipse 1:19 é claro:
“Escreve as coisas que viste, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer.”
Ou seja, o foco principal do livro são eventos futuros, não apenas o contexto do primeiro século.
Preterista ou Futurista
O que é o Futurismo?
O futurismo é a corrente escatológica que entende que a maior parte das profecias do Apocalipse ainda não se cumpriu. Essa visão interpreta os selos, trombetas, taças, a besta, o falso profeta e o juízo final como eventos escatológicos que antecedem a segunda vinda de Cristo.
Essa abordagem respeita a cronologia do texto bíblico, o contexto histórico da época em que João escreveu, e mantém o Apocalipse como um livro relevante para todas as gerações — especialmente a geração do tempo do fim.
Apocalipse 17:10 – Uma Pista Profética Ignorada
Apocalipse 17 traz uma descrição poderosa da Grande Babilônia, da besta e dos reis que se levantariam no Império Romano:
“São também sete reis; dos quais caíram cinco, um existe, o outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure pouco tempo.” Apocalipse 17:10
Aqui João menciona sete reis (ou reis-papas), sendo que, no momento da visão, cinco já haviam caído, um ainda existia, e o sétimo ainda viria por pouco tempo. Depois disso, surge a besta.
Muitos estudiosos identificam esses reis como líderes do Império Romano ou líderes papais após a oficialização da Igreja pelo Estado, em especial após a criação do Vaticano como Estado soberano em 1929.
A visão de que a besta representa o sistema papal — um poder político-religioso que se assenta sobre sete colinas (Roma) e domina reinos — não é teoria da conspiração. Essa interpretação foi defendida por nomes históricos como Martinho Lutero, John Wycliffe, William Tyndale e Charles Spurgeon. Todos viam o sistema papal como o cumprimento das profecias da besta.
Vale lembrar que o próprio texto diz:
“A mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.” (Apocalipse 17:18)
Roma era, e continua sendo, a sede do poder religioso mais influente do mundo. Ignorar essa correlação direta entre as pistas proféticas e a realidade histórica é fechar os olhos para a revelação.
Futurismo: Coerência Profética e Relevância Atual
A interpretação futurista permite que o Apocalipse seja um livro vivo, que fala tanto aos cristãos do primeiro século quanto aos de hoje. Ele revela um grande cenário profético que culmina com o retorno triunfal de Cristo, a derrota do Anticristo e a restauração final.
Enquanto o preterismo limita o Apocalipse ao passado, o futurismo o projeta para um clímax profético ainda por vir — e que faz sentido com a progressão da história mundial, o avanço do ecumenismo e o papel crescente do papado como autoridade moral e política global.
O perigo espiritual de seguir o preterismo e ignorar o alerta profético
Adotar a visão preterista não é apenas uma questão de interpretação bíblica diferente — é assumir um grande risco espiritual. Ao tratar as profecias do Apocalipse como eventos encerrados no passado, o preterismo neutraliza o poder de alerta da revelação divina. Ele fecha os olhos da Igreja para o que está por vir e coloca o povo de Deus em posição de distração e despreparo diante dos sinais dos tempos.
Jesus alertou repetidamente:
“Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.” (Mateus 24:42)
O Apocalipse não foi escrito como um memorial do passado, mas como um aviso urgente sobre o futuro. Ignorar isso é cair na armadilha do comodismo espiritual — o mesmo erro das virgens néscias, que dormiram em vez de se prepararem para o noivo (Mateus 25).
O preterismo enfraquece a vigilância da Igreja, minimiza o papel do Anticristo, e — ainda mais grave — ofusca a expectativa do retorno de Cristo em glória, que é o centro da esperança cristã. Por isso, é fundamental discernir entre uma interpretação que prepara e edifica, e outra que adormece e desvia.
Como diz Apocalipse 1:3:
“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.”
Quem acredita que tudo já se cumpriu deixa de guardar, deixa de esperar e deixa de vigiar. E isso é um perigo real.
Conclusão – Preterista ou Futurista
A escatologia bíblica é mais do que um estudo sobre o fim dos tempos. É um alerta divino, uma revelação para preparar a Igreja. Nesse sentido, o futurismo se mostra como a corrente mais coerente, fiel ao texto e relevante para os cristãos atuais.
A teoria preterista, ao tentar encaixar Nero como a besta e a destruição de Jerusalém como o clímax profético, ignora o contexto histórico da escrita do Apocalipse e anula seu poder de advertência para os dias de hoje.
Além disso, a identificação da besta com o sistema papal romano não é uma fantasia conspiratória, mas uma conclusão sustentada por séculos de estudo bíblico e histórico por teólogos sérios e comprometidos com as Escrituras.
Como disse o próprio Jesus:
“Eis que venho sem demora; bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.” (Apocalipse 22:7)
FAQ – Perguntas Frequentes – Preterista ou Futurista
1. O que é Apocalipse?
“Apocalipse” vem do grego apokálypsis e significa “revelação”. É uma visão profética dos eventos futuros dados por Deus ao apóstolo João.
2. Quem é a besta do Apocalipse?
Na visão futurista, a besta representa o Anticristo — um líder mundial maligno dos últimos dias. Muitos estudiosos também veem uma conexão direta com o sistema papal romano, como mostrado em Apocalipse 17.
3. João escreveu o Apocalipse antes ou depois de Nero?
O Apocalipse foi escrito depois da morte de Nero, por volta do ano 95 d.C., durante o reinado de Domiciano. Isso enfraquece fortemente a visão preterista.
4. Por que a visão da besta como o papado não é teoria da conspiração?
Porque essa interpretação é sustentada por dados históricos, simbologia bíblica e por grandes reformadores do cristianismo. Não se trata de ataque pessoal, mas de uma análise profética de sistemas religiosos e políticos.
5. Por que a corrente futurista é mais confiável?
Porque ela respeita a cronologia bíblica, o contexto da revelação e mantém o propósito profético do Apocalipse vivo para todas as gerações.
Para complementar seus estudos, leia o artigo sobre:
Profecia Apocalipse 17: A Besta, Grande Babilônia, os Sete Montes

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