JAVISTA – ELOISTA – SACERDOTAL – DEUTERONOMISTA

Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista. De onde surgiram estas palavras? O que elas significam? Se você chegou aqui é porque está a procura de informações sobre elas, então, você está no lugar certo.

Trata-se de quatro fontes de interpretação importantes sobre o relato da criação. É evidente que o Capítulo 1 e 2 de Gênesis não são obras de um único autor. Se você é um estudante da Bíblia ou um seminarista. Precisa pesquisar para agregar conteúdo nos seus trabalhos acadêmicos, acompanhe abaixo a exposição sobre estas 4 fontes.

Foi através da crítica das fontes que conseguiram isolar quatro fontes principais que compunham o Pentateuco:

Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista

Quatro Fontes de Interpretação — Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista

JAVISTA (Fonte J) porque se referia a Deus por seu nome YAHWEH ou JAWÉ.

ELOÍSTA (Fonte E) porque prefere tratar à Deus pelo seu correspondente do hebraico ELOHIM. DEUTERONOMISTA (Fonte D) deriva do nome do próprio livro onde sua maior parte é composta por este estrato fonte, embora tenha recebido o nome devido a um equívoco de interpretação de Deuteronômio 17 e 18, onde a LXX “Septuaginta” traduziu o termo hebraico “cópia da lei” como “repetição da lei”, ou seja,  deuteronomion).

SACERDOTAL (Fonte P) derivado do próprio nome “Código Sacerdotal”, do alemão Priestekodex).

De posse destas informações cabe agora registrar o nosso interesse, pois se falamos da criação, então, falamos das fontes P e J, visto que as mesmas compõem o estudo em questão.

A Criação, segundo a fonte P (Gênesis1; 2:1-4a) e J (Gênesis 2:4b-3:24) Surgimento e contrastes.

Às quatro fontes encontradas, na realidade, são observadas em três estilos de narrativas sobre a história de Israel. Visto que, o Documento Sacerdotal engloba dois relatos: O Javista, que apresenta a tradição histórico-religiosa do reino do Norte, (datado do século IX a.C.). O Eloísta que apresenta a tradição histórico-religiosa do reino do Sul, (datado do final do séc.VI a.C.) que inicia com a história de Abraão diferenciado do Javista e do Sacerdotal, que iniciam com a Criação do Universo e do homem.

JAVISTA

Das 4 fontes, Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista. O Javista tem em vista relatar a história do seu povo num ponto de vista teológico, onde tudo que acontece na terra é regido por uma personalidade sobrenatural, o Deus de Israel (Yahwéh) de quem tudo veio, a Terra e o homem.

Considera ainda, a história desde seu começo absoluto, ou seja, quando se introduz o cenário e seus atores ao narrar a passagem do “nada” à terra com vida vegetal e animal, inclusive a criação do homem por Yahwéh, o único Interventor da criação e condução do mundo.

Influência da Cosmologia

Visualizando à terra caótica, o primeiro homem (como uma espécie de agricultor), as árvores, um animal de cada espécie, a mulher, as realidades universais. A água, o céu e à terra, luz e trevas, os astros, as espécies botânicas e zoológicas, a raça humana. Deixando transparecer a influência da cosmologia e cosmogonia babilônica.

Conhecidas no exílio, relevando o relacionamento do casal humano em relação à criação propriamente dita. Visto que seu interesse era demonstrar o progresso do mau moral e da desgraça juntos entre os homens na história do “paraíso”, escreve a estória em data imprecisa, provavelmente no século IX a.C. quando ainda era transmitida oralmente.

Neste caso a criação supunha que o homem fora posto no mundo tal como ele é e sempre foi, ou seja, mortal, e a mulher da mesma forma, submetido por natureza à dor de parto apresentada na história do paraíso como acidentes posteriores em consequência de um castigo divino.

Da mesma forma, essa história supunha a existência de outros animais. Talvez, até de outros homens, esse é o motivo que em Gênesis 2:15 o homem é colocado no jardim de Deus: “para guardá-lo”, e se o Javista o colocou é porque aos seus olhos era de maior importância.

Enfim, toda a história do pecado original descrito em Gênesis 2:4b à 3:24, combinado com o relato das origens, está diretamente relacionado com o fato do homem ser propenso para o mau. Com isso fadado a receber castigo quando o mesmo se concretizasse ao desviar-se da natureza boa com que fora criado.

ELOISTA

A fonte Eloista, também conhecida como Elohista, é assim chamada porque usa o nome de Deus “Elohim” em vez de “Javé”. Acredita-se que esta fonte tenha sido escrita durante o século IX a.C. e se concentra principalmente na figura de Moisés.

O Eloista é uma das quatro fontes do Pentateuco, que é composto pelos livros Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A fonte Eloista foi escrita durante o período do Reino do Norte de Israel, por volta do século IX a.C.

Origem

O nome “Eloista” vem do uso frequente do termo “Elohim”, que é um dos nomes hebraicos para Deus, na fonte. A fonte Eloista é caracterizada por seu enfoque em Deus como criador do mundo e em seu relacionamento com a humanidade.

Algumas das histórias mais importantes da fonte Eloista incluem a criação do mundo, a história de Adão e Eva, a história de Caim e Abel, a história de Noé e a história de Abraão. A fonte Eloista também apresenta uma ênfase na importância dos profetas e na justiça social.

Embora a fonte Eloista seja uma das mais antigas das quatro fontes do Pentateuco, ela ainda é uma fonte valiosa para entender a história e a religião judaicas. Através do estudo da fonte Eloista, podemos obter uma visão mais profunda da relação entre Deus e a humanidade, bem como dos primeiros patriarcas e da importância dos profetas na tradição judaica.

SACERDOTAL

JAVISTA - ELOISTA - SACERDOTAL – DEUTERONOMISTA

Apesar da semelhança com o Eloísta na apresentação da criação ao nomear o Deus de Israel, Elohim. O Documento Sacerdotal, ou seja, a fonte “P” é facilmente isolada. Pois, apresenta uma linguagem abstrata em estilo impessoal e frio. Preocupando-se detalhadamente com as classificações, números precisos, datas exatas, multiplicidade de estereótipos, concepção teológica particular e clerical das coisas. Voltado, principalmente, para a pureza cultual e ética, vocabulário específico, tão, particulares que até permitiram estimar sua época, final séc.VI a.C., após o exílio babilônico (536 a.C. marca o final do exílio).

Na verdade, este é o relato que surge primeiro na Bíblia atual e sua finalidade é apresentar Deus como único, universal, constituindo uma ordem à parte a tal ponto espiritualizada de forma que sua palavra é suficiente e capaz para realizar sua vontade, organizar os cosmos e produzir coisas.

Para passar a ideia de um Todo-Poderoso, com uma visão sublime e imortal. Diferentemente do Javista, o Sacerdotal apresenta um Deus que não necessita das suas mãos para criar. Mas apenas sua palavra seguida sempre da expressão “viu Deus que era bom” procurando passar a impressão que tudo que ele faz é bom, inclusive o homem. Onde o compilador do Pentateuco ancorou o texto do Javista para narrar a história do pecado original. Gênesis 2:4b-3.

O objetivo principal do Sacerdotal neste texto é justificar com a prática do próprio Deus o descanso semanal do Shabat como instituição consagrada pela lei o que lhe é característico.

A partir disto, não somente a história cosmogônica apresentada no texto. Mas toda ela segue seu curso atualizando-se através dos progressos seculares. Dentro de um espírito legalista preponderante na época que a ele subordina a narração histórica propriamente dita. Selecionando de preferência os acontecimentos reais ou supostos capazes de demonstrar a origem divina e, consequentemente, indiscutível e obrigatória de uma regra de conduta incorporada à lei.

Documento Sacerdotal

Sendo assim, podemos concluir que o Documento Sacerdotal não é uma história desinteressada e objetiva do passado. Mas sim uma espécie de apologia (discurso de defesa) de um ponto de vista narrativo e histórico de tudo aquilo que na época era considerado regra de vida. Essencial para o povo eleito, revelando seu espirito religioso com seus componentes essenciais.

Israel será para sempre o povo eleito de Deus, tendo que obedecer cegamente a sua vontade e observar com escrúpulo a lei escrita que a traduz, pois, esta é a comunicação absoluta e definitiva da vontade de Deus sobre seu povo.

Deuteronomista

A fonte Deuteronomista é a mais recente das quatro e foi escrita durante o século VII a.C. O nome “Deuteronomista” vem do livro de Deuteronômio, que é a principal obra da fonte. A fonte Deuteronomista é caracterizada por seu foco na lei e na justiça.

Deuteronomista é uma das quatro fontes do Pentateuco, que é composta pelos livros de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A fonte Deuteronomista é a mais recente das quatro fontes e foi escrita durante o século VII a.C.

O nome “Deuteronomista” vem do livro de Deuteronômio, que é a principal obra da fonte. O livro de Deuteronômio contém muitas das leis e regulamentos que governam a sociedade e a justiça. A fonte Deuteronomista é caracterizada por seu foco na lei e na justiça, o que a diferencia das outras fontes do Pentateuco.

Histórias Importantes

Algumas das histórias mais importantes da fonte Deuteronomista incluem a renovação da aliança entre Deus e o povo de Israel, a morte de Moisés e a liderança de Josué. A fonte Deuteronomista também apresenta uma visão mais centralizada do culto e do templo de Jerusalém.

Embora a fonte Deuteronomista seja a mais recente das quatro fontes do Pentateuco, ela ainda é uma fonte valiosa para entender a história e a religião judaicas. Através do estudo da fonte Deuteronomista, podemos obter uma visão mais profunda das leis e regulamentos que governam a sociedade e a justiça na antiga sociedade israelita.

Combinando as Fontes — Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista

Embora essas quatro fontes tenham sido escritas por diferentes autores em diferentes épocas, elas foram combinadas para criar o Pentateuco que conhecemos hoje. Os editores que combinaram as fontes não apenas uniram as histórias e leis, mas também adicionaram suas próprias observações e comentários.

A combinação dessas fontes criou um texto que é rico em significado e que contém muitas camadas de interpretação. Através do Pentateuco, podemos entender a história e as leis do antigo Israel, bem como suas crenças e valores.

Importância das Fontes — Javista – Eloista – sacerdotal – deuteronomista

Compreender as quatro fontes do Pentateuco é importante para entender a história e a religião judaica. Cada fonte fornece uma visão única e importante da vida e da cultura do antigo Israel. Além disso, o estudo das fontes do Pentateuco nos ajuda a entender a evolução da escrita e da religião na antiga sociedade israelita.

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Conclusão

O Pentateuco é um texto sagrado importante para judeus e cristãos em todo o mundo. Embora seja composto por quatro fontes diferentes, cada uma com sua própria voz e perspectiva, essas fontes foram combinadas para criar um texto unificado que contém as leis e ensinamentos fundamentais do judaísmo. Ao compreender as quatro fontes do Pentateuco, podemos obter uma visão mais profunda da história e da religião judaicas.

ADILSON CARDOSO

Adilson Cardoso: Teólogo, Filósofo — Professor de Filosofia, Teologia, Hebraico e Grego.

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