Paulo de Tarso

Paulo de Tarso – Por que Deus escolheu Paulo?

Paulo de Tarso — Por que Deus escolheu Paulo de Tarso? Eis a pergunta, será que não tinha homens de Deus para ocupar tal cargo? Por que Deus escolheu justamente um perseguidor da Igreja, um homem assassino frio e cruel?

“Deus não chama os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Esta frase está presente em adesivos nos vidros dos carros e nas pregações de muitos pregadores, principalmente, aqueles que gostam de movimento, barulho, animadores de palco.  Quando avaliamos esta frase a luz do chamado de Paulo, ela se sustenta?

Por que Deus escolheu Paulo de Tarso? Não outro? Este Artigo não tem a pretensão de tratar sobre calvinismo e predestinação, isto extrapola o tema proposto aqui. Abordaremos apenas as causas do chamado de Paulo.

Talvez, você deve estar se perguntando agora: se havia tanta gente naquela época, então, por que justamente Paulo?  Deus chamou um inimigo perseguidor e assassino para implantar igrejas e escrever quase a metade do Novo Testamento? Parece estranho este chamado, por isto, este Artigo é relevante.   

PAULO DE TARSO  O PERSEGUIDOR

1 – E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote

2 – e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.

3 – E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4 – E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me perseguesAtos 9:1-4 – ARC


Segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Filipenses 3:6 – ARC

9 – Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. 1° Coríntios 15:9


PAULO DE TARSO O ASSASSINO

1 – E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos.  

3 – E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão. Atos 8

TRÊS POVOS A SEREM ALCANÇADOS

Judeus, Romanos e gregos formavam a miscigenação dos povos. Nossa primeira reflexão recai sobre a necessidade destes três povos serem evangelizados. Ou seja, o escolhido teria que ser alguém capacitado e habilidoso. A missão não podia falhar.

Nossa abordagem será fatiada em três tempos, começaremos falando sobre os gregos:

PAULO DE TARSO EM ATENAS

Havia em Atenas um local chamado Ágora, praça pública, cuja, reuniões aconteciam entre os cidadãos atenienses para tratar dos problemas da Polis (cidade). Eram discutidos problemas comuns e complexos. Todos poderiam apresentar suas teses, mas, para ser aceita e discutida o apresentador deveria convencer o público sobre a importância do seu projeto ou argumento. 

A falta de persuasão resultava na rejeição do discurso. Para facilitar o entendimento, seria aquilo que chamamos de engavetamento de projeto. Ah! Amigo leitor! Como você pode perceber, o pregador de Atenas não poderia falhar. Tinha que ser alguém que falasse grego, ser filósofo e possuir poder de persuasão.

Se o argumento sobre Jesus e a salvação fosse rejeitado, os gregos não seriam evangelizados. Acompanhem abaixo a presença de Paulo em Atenas. Lembrem-se, Atenas é o berço da Filosofia:

15 – E os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram.

16 – E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.  

17 – De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam.

18 – E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.

Atos Capítulo 17 

Observa-se que ele disputava na praça (na Ágora) com os que se apresentavam. Para complicar, ele disputava “todos os dias”. Caro amigo leitor! Para disputar com filósofos nas praças diariamente, era necessário preparo, também, um conhecimento profundo de filosofia. Desafio você amigo leitor, procure uma praça próximo de sua casa e começa a debater com as pessoas para sentir na pele o que Paulo fazia.

Vale lembrar que os filósofos eram os intelectuais da época. Tudo passava pelo crivo do debate e da reflexão. No versículo 18 aparece duas escolas de filosofia representadas pelos “epicureus e estoicos”. Paulo contendia com alguns deles. Eis aí a primeira razão para Deus escolher Paulo de tarso. Provavelmente, não havia outro com tanto preparo filosófico naquela época.

PAULO DE TARSO — CONHECEDOR DO JUDAÍSMO

Por que Deus escolheu Paulo de Tarso? Para evangelizar os judeus porque não havia ninguém melhor que um Fariseu com conhecimentos profundos do judaísmo como Paulo. Constatem os versículos abaixo:

14 — E, na minha nação, excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.    Gálatas 1 – ARC

As palavras fortíssimas em destaque “excedia em judaísmo” e “extremamente zeloso”, apontam para um profundo conhecimento em judaísmo.


5 – Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu,

6 – segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.

Veja estes mesmos versículos na Tradução NTLH- Linguagem de Hoje:

5 – Fui circuncidado quando tinha oito dias de vida. Sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu. Quanto à prática da lei, eu era fariseu.

6 – E era tão fanático, que persegui a Igreja. Quanto ao cumprimento da vontade de Deus por meio da obediência à lei, ninguém podia me acusar de nada.  Filipenses 3:5-6 

6 – E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado.    Atos 23:6 

Precisamos fazer uma pausa para refletir sobre o perigo da religiosidade. A Religião “é o ópio do povo”, diria Karl Marx, é o mau da sociedade. Paulo em nome e Deus cometeu crimes, e para piorar, pensava ser o representante de Deus na terra,  conduzindo a coisa certa. O zelo sem entendimento pode ser uma arma perigosa. Muitos crimes e guerras “santas” são praticadas em nome de Deus.

Veja aqui 8 massacres em nome de Deus

Entende-se que Paulo de tarso era conhecedor do judaísmo e da Toráh, não havia ninguém em sua época com tanto preparo como ele. Esta foi a segunda razão do porque Paulo foi escolhido por Deus para uma missão especial.

17 – De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam Confiram Atos 17:17

O versículo acima é enfático em afirmar que Paulo disputava na sinagoga com judeus e religiosos. Esta é uma tarefa somente para os preparados e Paulo era a pessoa certa.

PAULO E O ROMANOS

Os Romanos eram um povo guerreiro e poderoso, um povo conquistador, um Império construído e estabelecido pela força. Os Romanos eram pouco tolerantes com qualquer pretensa usurpação do poder de César. A pena capital era constantemente aplicada, principalmente, através de crucificação.

Como Jesus era considerado rei, ganhava popularidade e muitos seguidores. Logo, tornou-se uma ameaça para César e o seu reino. O desfecho disso, ele foi crucificado. O fato de Jesus ter sido morto, não cessou o temor que pairava entre os romanos. Embora crucificado e morto fisicamente, no entanto, estava vivo na pregação de seus seguidores, entre eles o próprio Apóstolo Paulo.

A violenta perseguição estende-se, então, a todos os cristãos da época. Por isto, a missão de implantar igrejas deveria recair sobre alguém que tivesse algumas armas de defesa para continuar com a missão, obviamente, vivo. Paulo mesmo em meio a tantas perseguições possuía algo positivo. Era judeu de nascença, entretanto, possuía cidadania Romana.

Os cidadãos romanos gozavam de status social mais privilegiado que o dos estrangeiros, permitindo-lhes acesso a um tratamento especial por parte do Estado. Foi o que o manteve vivo até completar a missão. Quando foi martirizado em Roma no reinado de Nero, ao soar em sua boca “combati o bom combate”, ele já havia escrito todas as cartas que lemos no NT e havia implantado igrejas em todas as regiões.

27 – E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim.

28 – E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou-o de nascimento.

29 – E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado.

Uma rápida análise nos versículos acima já é suficiente para entender a importância da cidadania romana na vida de Paulo. A expressão “e até o tributo teve temor quando soube que ele era romano”, mostra claramente que o tratamento era diferenciado em detrimento as demais pessoas que não possuíam cidadania romana.    Atos 22:27-29 

PAULO DE TARSO O INTELECTUAL

Por que Deus escolheu Paulo de Tarso?  Outra razão do porque Deus escolher Paulo e não outra pessoa foi o seu alto nível intelectual. Paulo falava todos os idiomas da época. Logo após sua  conversão viajou para diversos países de

Paulo de Tarso
Acrópole de Atenas

línguas siríacas como Corinto, Éfeso, Tessalônica, etc. Depois aos 60 anos pregou em Roma, cuja língua oficial era o latim. Então, é provável que ele falava hebraico, aramaico, siríaco, turco, grego e latim. 

18 – Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. 1 Coríntios 14:18 

2 – E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram. Atos 22:2

Ele foi educado pelo mais ilustre Rabino de sua época. Um professor culto e sábio. Paulo dominava com facilidade as questões religiosas que tangia a Lei de Moisés.

Conclui-se que Paulo foi um Teólogo, Filósofo, Escritor e um grande pensador que influenciou o mundo de sua época e nos deixou um legado de valor incalculável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta apresentação foi apenas uma fagulha sobre o legado de Paulo. Poderíamos escrever páginas e mais páginas para somar ao vasto conteúdo de informações existentes sobre este grande homem de Deus. Entendemos que o Artigo aqui exposto é suficiente para responder à pergunta: por que Deus escolheu Paulo de Tarso? A resposta é obvia, ele preencheu todos os requisitos exigidos para uma obra de tamanha magnitude.

A frase antibíblica de que Deus não chama os capacitados perde sua força. Se esta frase fosse verídica, Deus não teria escolhido Paulo para a obra. Outra pessoa sem preparo teria sido um desastre total, a obra seria interrompida e não teríamos, talvez, o grande compêndio teológico que apresenta Cristo na Sua Plenitude terrena.

Um motivo final para o chamado de Paulo era o zelo, a dedicação, reverência, temor ao Eterno e a responsabilidade que, às vezes, nos falta como obreiros da Igreja contemporânea. O que não falta nesta igreja são obreiros despreparados, irresponsáveis e preguiçosos. Sem generalizar, ainda existem alguns poucos que preservam a integridade cristã.


Adilson Cardoso

Professor Adilson Cardoso, Teólogo, Filósofo – Professor de Filosofia, Teologia, Hebraico e Grego.

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