Messianismo o Messias esperado antes de Jesus nascer

Messianismo: O Messias esperado

Messianismo é a nomenclatura aplicada  àqueles que esperavam o Messias antes de Jesus nascer. Haviam duas vertentes messiânicas, isto é, uma corrente de pensamento acreditava que o Messias seria um homem forte, valente e que lutasse suas guerras. A outra esperava um Messias pastor.

Faremos uma análise do tema e uma abordagem a partir da sua história e análise teológica, também, analisaremos a palavra Messias na sua etimologia. E a ideologia que o povo de Israel criou acerca do Messias e suas implicações para a Igreja nos nossos dias.

No Messianismo havia duas tradições com expectativas diferentes. O povo sofrido, agredido e oprimido por reis tiranos. Eram sempre orientados pelos profetas que o próprio Deus enviou para dar-lhes esperança e reanimá-los de que havia esperança.

 

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Deus enviaria o Messias para libertá-los, no entanto, uma das tradições esperava um Messias guerreiro que lutasse suas guerras e os libertasse do poder romano, ou seja, um Messias político e vingador. Outra corrente esperava um Messias pastor que governasse como o Ungido de Deus.

O Messianismo é narrado na Bíblia apontando em duas direções: Os profetas do Campo que diziam que o Messias seria Pastor, enquanto, a compreensão de outros, principalmente, os da cidade de Jerusalém, acreditava que o Messias seria um guerreiro. Porém, o Mestre Jesus que veio como o Messias assumiu apenas uma delas.

A expectativa do Messias guerreiro

O Messianismo guerreiro era defendido pelos habitantes de Jerusalém, os defensores desta corrente eram: Funcionários do governo, os profetas da cidade e os sacerdotes que serviam no Templo.

Esta ideia do Messias guerreiro surgiu na interpretação equivocada de 1Sm 17.1-58, na qual Davi matou o gigante Golias. Então, o Messias também deveria ser igual a Davi, já que o Messias viria da descendência de Davi.

Acreditavam também que a cidade de Jerusalém nunca seria destruída como escreveu o profeta Isaias (Is 31.5). E que a família de Davi ocuparia para sempre o trono (2Sm 7.13-14-16).

O Messianismo guerreiro interpretou o segundo Salmo da Bíblia como literal, e por ele associaram a figura do Messias que haveria de vir. Vingativo e debochando das nações, rindo, zombando e destruindo qualquer inimigo. É triste saber que muitos cristãos nos dias de hoje ainda creem no Messias com estas características.

O resultado desta crença é que quando o Messias (Jesus) veio humilde, nasceu pobre, uma criança. Depois entrou em Jerusalém montado num jumento, isto era inaceitável, incompreensível e a frustração foi tanta que penduraram Jesus numa cruz e o mataram. Reflexão: muitos continuam matando Jesus até hoje porque suas expectativas são de um Messias que resolvam seus problemas terrenos.

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Corrente do Messianismo que esperava um Messias Pastor

Esta corrente do Messianismo tem sua origem na cidade de Belém. Ideia defendida e propagada pelos profetas, agricultores e pastores, principalmente, o profeta Miqueias (todos eles do interior de Judá). Este modelo de Messianismo tem sua inspiração também na pessoa de Davi, especialmente, no menino Davi pastor de ovelhas. O Messias deveria ser pastor assim como era Davi.  Messianismo

Inspirados pelo Salmo 23 “o cajado que consola”, o Messias deveria governar pela força do cajado e não da espada. Ou seja, pela paz e não violência. (Mq 5.2-5).

“Do trono de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um renovo”.

Seu nome será Emanuel (Deus conosco Is 7.14)

São destaques neste messianismo.

O Messias governará como pastor.

…E Ele se erguerá, e Ele apascentará o povo na força do Senhor… (Mq 5.4)

…e suscitarei para elas um só pastor, e Ele as apascentará (Ez 34.23).

O Messias governará com paz.

…Ele será a nossa paz (Mq 5.5)

…Farei com elas aliança de paz (Ez 34.25)

O Messias governará com inteligência, direito e justiça.

…e Eu suscitarei a Davi um germe justo, e rei que é, reinará e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra (Jr 23.5).

  • O Messias será justo e Salvador.

“Eis ai te vem o teu Rei, justo e Salvador. Pobre montado sobre um jumento”… (Zc 9.9).

Não se pode calcular a quantidade de pessoas que esperava pelo Messias guerreiro, mas é possível tentar localizar na sociedade israelita dos defensores de cada um desses dois movimentos.

  • O primeiro grupo vivia em Jerusalém sob a influência do poder político, econômico e religioso. É gente que só pensa em conquistar terras e povos,

O movimento de pessoas que esperava por um Messias pastor foi mais representativo na sociedade israelita. Os profetas canônicos representaram bem este movimento.

Jesus foi denominado por seus discípulos como o Cristo, o Ungido, isto é, o Messias. Por que os discípulos agregaram o nome Messias a Jesus?

  • Jesus não chama a si mesmo de Filho de Davi, Messias, mas simplesmente de “Filho do homem” (Mt 8.20).
  • Jesus não adotou a atitude agressiva e violenta de Pedro (Mc 14.47).
  • Jesus assumiu a condição de “pastor” Jo 10.1-18.

O Messianismo e as implicações do texto na vida cotidiana

Assim como no estudo do Messianismo apresentado; nós também temos nossas expectativas quanto a Jesus Cristo, o Messias. Muitos se apegaram a tradição de um Messias guerreiro, que vence batalhas e que é uma espécie de “vingador” contra aqueles que de alguma maneira nos afetaram.

No entanto, na tradição bíblica do Messianismo, vemos que o Messias pastor sobressai ao Messias guerreiro, isto porque sua vinda é para a paz sem fim (Is 9.6). O Messias Jesus nos trouxe vida e vida em abundância, por isso é importante compreendermos que sua missão é para que todos tenham a alegria de servir a um Messias justo, Salvador e que está conosco sempre. Todos os dias até a consumação dos séculos.

Não é raro identificarmos em nossas igrejas pessoas que seguem um Jesus que está a seu serviço. É uma inversão de valores, nosso Salvador virou um mero serviçal e é obrigado a atender os pedidos daqueles que querem ver seus desejos carnais atendidos, ou seja, sua ânsia por bens materiais e total ausência de conflitos, enfermidades e sofrimentos.

Quando na verdade, nosso Mestre é e sempre será um Pastor. Amamos-o pelo que Ele é e não pelo que Ele faz.


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Prof. Adilson Cardoso

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