Reforma Protestante

Reforma Protestante – Ansiedade – Declínio – Incertezas

Uma terra de ninguém

Reforma Protestante – Ansiedade – Declínio – Incertezas

O Mundo clamava por uma Reforma

Reforma Protestante – Este Artigo pretende analisar o Período que antecedeu a Reforma sob as lentes da Teologia. Desprendidos de interesses pessoais ou ideológicos como o fazem aqueles que avaliam o período com as lentes do catolicismo romano.

Na ótica dos Católicos romanos, Martinho Lutero foi um louco que tinha pulsões sexuais e se revoltou contra a igreja porque queria casar. Sob suas lentes a Re forma Protestante foi um erro e todas as mortes e torturas praticadas em nome de Deus foram necessárias e justificáveis.

Diante de tal cenário e a procura de algo que dê sentido e justificar a instalação da Reforma Protestante. Para evitar que a história se repita e tantas vidas sejam ceifadas por fanáticos religiosos. Para apontar psicopatas e sociopatas com mentes e pensamentos adoecidos por ideologias.

Este artigo ganha sua relevância à medida que impele o leitor a embarcar numa jornada de pesquisas que confirma os abusos e os crimes praticados contra a humanidade. E para piorar, em nome de Cristo!

Apresentaremos o cenário do Período Pré-Reforma. Como estava o Mundo antes da Reforma Protestante?

Erasmo em 1536 retrata aquele período como: “Pior século desde Jesus Cristo”

Idade Média – Período das Trevas

Palavras-chave

Declínio – desintegração – decadência – adversidade – instabilidade

  • Declínio – A sociedade medieval estava num processo de descida rumo ao abismo, e não via nada que interrompesse esta queda livre. A Reforma Protestante não serviu apenas de freio para interromper o declínio, mas também para reverter e iniciar novamente a subida.
  • Desintegração – Trata-se de uma sociedade que entrou em decomposição. Perdeu sua unidade e viviam em dois mundos simultâneos. O mundo luxuoso do clero com suas catedrais góticas e o mundo sofrido dos miseráveis.
  • Decadência – Estado do que está começando a se degradar e se encaminha rapidamente para o fim, para a ruína.
  • Adversidade – Desgosto, angústia, aflição, amargura, desprazer, desolação, contratempo. É caro amigo leitor! Não faltam adjetivos para traçar o cenário relacionado às expectativas e emoções dos viventes deste período.
  • Instabilidade – Incertezas sobre o que seria o amanhã. Ansiedade constante e falta de segurança. Desânimo e melancolia era a forma de reagir diante dos desmandos do papado.

Sofrimento, fome, doenças e morte. Vejam a citação abaixo:

“Um desassossego mórbido com o sofrimento e a morte impregnou a Europa na baixa Idade Média. Na raiz dessa experiência, estavam os fenômenos geminados da fome e da peste. No inicio do século XIV, a crise agrária era tão intensa, que alguns recorreram ao canibalismo: em 1319, noticiou-se que cadáveres de criminosos eram tirados das forcas e comidos pelos pobres na Polônia e na Silésia.  Acrescente-se a tal catástrofe a destruição provocada pela peste bubônica, ou peste negra, que atingiu o ápice na Inglaterra por volta de 1349 e arrasou pelo menos um terço da população de toda Europa”.
George Timothy, Teologia dos Reformadores, Página 26, Vida Nova, 1993, São Paulo.
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Ambiente de Temor – Terra de ninguém

A palavra “trevas” descreve o período de horror e amplia a visão sobre a nuvem escura da Religião que assolava, entristecia e acabava com as esperanças até mesmo dos mais otimistas, principalmente, na Europa.

Pessoas eram alienadas, conduzidas e atormentadas pelo medo da morte e do inferno.  Sensação de mal-estar e inquietação profunda, o peso da culpa levavam as pessoas ao flagelo, as marcas do pecado e a falta do dinheiro para pagar indulgências eram motivos para o desespero, e também desencadear penitências absurdas que terminavam na exaustão do corpo cortado por laminas amarradas nas pontas de pedaços de cordas.

Aquele Cristo oferecido pela Igreja Católica Romana não era o Jesus da Bíblia. Mas, um deus carrasco e cruel que condenava e matava. O vazio da alma e a falta de sentido da vida eram parceiros na calada das noites de insônia.

Esta terrível situação atormentava Martinho Lutero que clamava constantemente: Onde posso encontrar um Deus gracioso, misericordioso? Amedrontado, sensação de culpa sem fim eram motivos para ele torturar o corpo mendigando o perdão de Deus.

Terrores noturnos assolavam sua alma, medo de morrer e ter seu destino nas mãos do papa. Será o inferno? O purgatório ou o céu? Tinha que obedecer fielmente os desmandos e a opressão da igreja para ter favores depois da morte. Que situação! Lutero estava num barco à deriva. A pergunta que não cessava de lhe perturbar e inquietar o coração: Onde encontrar um Deus Misericordioso?

Foi movido pelas incertezas que Lutero começou a estudar a Bíblia dentro do Mosteiro que ele estava enclausurado. A prática da leitura da Bíblia era proibida aos leigos. Todavia, sendo um monge tinha o privilégio de ler sem restrições. E como a Palavra de Deus é Viva e Eficaz A Palavra não volta vazia. Ao ler a Carta aos Romanos, Martinho Lutero foi tocado fortemente pela Palavra:

“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé”.

Romanos 1:17

Estas Palavras penetraram no fundo da Alma e ele logo percebeu que seus olhos se abriram. Seus medos e angustias se dissiparam e um novo mundo com novos horizontes se abriram diante da nova descoberta, surge dai, o motivo para iniciar a Reforma Protestante .

Lutero encontrou o sentido mais amplo das Palavras de Jesus: “A fé vem pelo ouvir a Palavra”.  A primeira coisa que as Religiões fazem para manipular pessoas é proibir a leitura e o estudo da Bíblia. Mantê-las na ignorância e no analfabetismo bíblico é a condição necessária para a alienação, opressão e, por fim, coagir e extorquir seus bens e suas alegrias.

Ambiente Político

Os papas possuíam duplo poder. Poder Temporal, ou seja, tinha o poder político e suas mãos. Mandava e desmandava nos reis que sob sua sujeição cobrava altos impostos para manter a vida luxuosa do clero.

Tinha também o poder espiritual que concedeu aos papas plenos poderes nos céus e na terra. Cobrava indulgências em troca de perdão de pecados e também para garantir que o fiel não torrasse no inferno por toda eternidade.

Lutero declarou que a igreja era o braço direito de Deus e a política o esquerdo. O que se tem certeza é que a Europa estava explodindo em ódio contra o papado. Ninguém aguentava mais e o mundo clamava por uma Reforma, a Reforma Protestante era inevitável.

Lutero desferiu palavras fortíssimas contra o papa:

“Denunciou o papa como anticristo, referiu-se à hierarquia da igreja romana como ‘a igreja prostituta do diabo’, queimou o tratado inteiro da lei canônica, como também a bula papal que o havia excomungado”
George Timothy, Teologia dos Reformadores, Página 87, Vida Nova, 1993, São Paulo.
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Quando se analisa a posição de Lutero sobre o papa, percebe-se que ele foi generoso em face aos outros reformadores. Veja o que diz  Wycliffe:

“Ele denunciou os sacerdotes de ‘ladrões’ […] raposas malignas […] glutões […] demônios […] macacos e os curas de rebentos estranhos, não arraigados à vinha da igreja. O papa era ‘o vigário principal do demônio’, e os mosteiros ‘antros de ladrões’, ninho de serpentes, lares de demônios vivos”
George Timothy, Teologia dos Reformadores, Página 38, Vida Nova, 1993, São Paulo. Author
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Corrupção do clero

Autoridade sacerdotal exagerada e abuso de poder, avareza e acúmulo de riquezas eram apenas alguns desvarios desta época. Completamente na contramão do Cristo bíblico que não tinha onde reclinar a cabeça. A igreja romana acumulou tanta riqueza que pouco sobrava para os outros suprirem suas necessidades básicas.

A igreja romana se tornou a maior latifundiária de terras do Planeta. E o clero participava e se beneficiava delas para viver uma vida narcisista e maligna. Os clérigos tornaram-se egoístas e indiferentes em face da dor alheia.

Eram grandes privilegiados pelas riquezas que, embora social e legal, no entanto, imoral e desproporcional. Alguns chegavam ao ponto de acumular mais de um cargo para arrecadar mais e aumentar suas rendas.

A Simonia (venda de cargos eclesiásticos) era prática comum e rotineira entre os padres. Não hesitavam em vender para arrecadar, e não faltavam compradores, porque, o negócio era rentável e de retorno rápido.

Imoralidade generalizada

Embriaguez, imoralidade sexual e glutonaria eram comuns e praticados entre os religiosos. As literaturas da época denunciam com pesar o testemunho de um legado amargo e vergonhoso.

E se não bastasse o péssimo testemunho, ainda tinha outros agravantes para complicar e criar uma aversão à fé cristã. Adulteraram o ensino da Palavra de Deus para apresentar ao povo um modelo de cristianismo corrompido e, completamente oposto aos propósitos originais para os quais foram escritos.

O povo abandonado

A ganância do clero era tamanha que tiveram de provar do próprio veneno. Ao acumular riquezas e abandonar o povo, criaram seu próprio coveiro. A lógica da vida não falha. Os países de primeiro mundo compreenderam isto, distribui-se a renda para que todos tenham o suficiente para suprir suas necessidades. 

A lógica é a seguinte: Se uma parte da sociedade acumula muito e deixa os outros sem nada. Então, quem não tem nada se revolta contra quem tem. As sociedades modernas sofrem com isto, adquirem muitos bens, mas, não podem usufruir deles em paz e segurança. Quem não tem nada rouba, sequestra e mata quem tem.

Martinho Lutero acendeu o pavio que foi o estopim da Reforma Protestante. Ele quebrou o sistema de arrecadação da igreja ao propagar a ideia de que ninguém mais precisava pagar pelos perdões de pecados. Pagar pelas indulgências não era mais necessário, a salvação vem somente pela fé.

A Reforma Protestante não abalou apenas a unidade da igreja Medieval, mas também detonou os alicerces financeiros e toda estrutura de autoridades e abusos.  Também, quebrou os poderes divinos que os papas reivindicavam ter.

A revolta generalizada do povo abandonado foi inevitável. Protestos e gritos insistentes decretando o fim da igreja corrupta se ouviam em todos os lugares. Todos gritavam em coro e na mesma voz, o mundo clamava por uma reforma.

A inquietação social e o ódio aos sacerdotes por causa das explorações, extorsões de dinheiro, indiferença com o estado deplorável do povo e a recusa dos padres em fazer alguma coisa para libertar as classes oprimidas. Em decorrência disto os protestos tornaram-se mais frequentes e mais violentos. Era o começo do fim dos momentos de ouro da igreja corrupta. A Reforma Protestante era inevitável.

Os Filósofos ateus – Morte de Deus

Aquele Cristo oferecido pela Igreja Católica Romana não era o Jesus da Bíblia. Mas, um deus carrasco e cruel que condenava e matava. O vazio da alma e a falta de sentido da vida eram parceiros na calada das noites de insônia.

O Filósofo alemão Friedrich Nietzsche, já num período mais tardio, bem depois da Reforma decretou sem piedade a morte de Deus: “Deus está morto”, disse ele. Mas, será que Nietzsche não tinha razão em matar Deus?

Eis a pergunta que ecoa nos ouvidos de quem vive no século XXI. Se fosse você, caro amigo leitor! Como reagiria diante daquele Cristo oferecido pela Religião Católica?

Nietzsche “Matou Deus” e argumentou que aquela nuvem escura que assolava a Europa estava indo embora. Agora o homem estava liberto, livre para seguir seu caminho, sem Deus.

Considerações Finais

Quando o Cristo da cruz, o Cristo da outra face é tirado de cena. Dar-se-á lugar para um Cristo construído e moldado para atender propósitos e interesses inescrupulosos e egoístas.

O cenário triste que acabamos de relatar acima é parte de uma história que não podemos ignorá-la. Um povo que não olha para o passado é como um povo sem memória. Quem não olha para o passado está fadado a repetir os mesmos erros no presente e destruir o futuro.

Fanáticos religiosos existiram e continuarão a existir em qualquer época. A Religião é uma desgraça para a humanidade, a maioria das guerras no mundo foram provocadas pelas religiões. Em nome de Deus mata-se mais do que as doenças ou os acidentes de transito.

Estamos inseridos num mundo, cujo sincretismo religioso e a fragmentação do corpo de Cristo. Criaram um sistema opressor semelhante ao da igreja papal. Mudaram-se as formas de indulgências, deram a elas um novo formato, uma nova roupagem, mas, a sutileza da alienação e exploração do povo continua a mesma. Continua e propaga com muito mais rapidez com a ajuda da tecnologia e da internet.

Em busca de um alivio para suas mazelas e dores, as massas manipuladas e sofridas. Submetem-se e cedem às tentações das ofertas e promessas de enriquecimento rápido, curas milagrosas e vida fácil. A igreja novamente clama por uma Reforma.

 A Igreja precisa voltar urgentemente para suas origens. Todos aqueles que se dizem serem cristãos, deveriam ler e aplicar o Sermão do Monte proferido com tanto entusiasmo pelo Senhor Jesus. Amar o próximo e dar a outra face, caminhar a segunda milha, orar pelos inimigos. Isto é o mínimo que se espera de uma igreja que se diz cristã.

O Mundo não precisa de Religião, o Mundo precisa de Jesus e de seus ensinamentos. Não aceite nada menos que isto, proteste, critique e age para que opressores sejam descobertos e denunciados. O silêncio dos bons é combustível para o sucesso dos maus.

Para não alongar muito este Artigo, omitimos os julgamentos, torturas, masmorras e os mais variados tipos de mortes sentenciados pela igreja romana. Aparelhos de torturas inimagináveis, mortes em fogueiras, etc.

Este é um assunto para outro Artigo, mas, fica a sugestão de pesquisa para você aprofundar no estudo das práticas cruéis desta, que se intitulou como sendo uma igreja cristã.

A Reforma Protestante não foi um erro, pelo contrário, foi inevitável.

Acesse aqui os 95 erros da Igreja Católica Romana anotadas por Martinho Lutero:

95 Teses de Martinho Lutero

Mais informações sobre a ReformaProtestante

https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante

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Autor: Adilson Cardoso – Teólogo – Filósofo – Professor de Teologia, Filosofia, Hebraico e Grego

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