REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

Qualquer crente no Senhor Jesus pode estudar a Bíblia Sagrada, uma vez que satisfaça certas regras de estudo, seja qual for o método utilizado pelo estudante. O estudo bíblico não é reservado a uns poREGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIAfavorecidos. Também para tal há qualquer iniciação secreta. Deus nunca tencionou tornar difícil ou inacessível o estudo de sua Palavra, posto que o mesmo leva-nos a conhecê-lo cada vez mais. Considere pois, coisa de capital importância o estudo sério, sistemático das Escrituras. È sempre compensador em todos os sentidos.

REGRA DO AUTOR

A primeira regra para seu êxito no estudo da Bíblia Sagrada é conhecer o seu Autor. O autor é o próprio Deus. Você o conhece? Conhecer alguém no sentido estrito da palavra não é apenas ter contato, ser apresentado ou cumprimentado por alguém, é ter intimidade, amar, andar ou conviver, enfim, comungar com este alguém João 14:21-23; 17:3). Perguntamos mais uma vez: Você conhece o autor da Bíblia? É Ele o seu Salvador, Senhor e Mestre?

Se não conhecemos o Autor da Bíblia, estaremos desqualificados para o estudo e compreensão da revelação divina. Sem conhecer o Autor, tudo é difícil na Bíblia! Esse conhecimento deve ser progressivo (Oséias 6:3; João 14:20). A real compreensão da Bíblia depende do nosso crescimento espiritual (Marcos 4:33; Hebreus 5:13-14).

REGRA DA LEITURA SISTEMÁTICA

Compreende-se por leitura sistemática aquela que é seguida e total da Bíblia. Se o leitor não ler a Bíblia de forma seguida e total não pode se queixar de não compreendê-la. Como alguém pode pensar em compreender um Livro que nem se quer leu-o todo ainda? Não se trata de leitura devocional, esta que se faz nos momentos que estamos a sós com Deus, dedicados exclusivamente à devoção e comunhão especial com Ele.

Em se tratando de leitura da Bíblia como tal, dois métodos de estudos lhes são apresentados: O sintético e o analítico. O método sintético considera cada livro ou a Bíblia inteira como um todo. É por meio de tal método que se vê as divisões naturais de cada livro bem como o seu desígnio específico.

O estudante da Bíblia deve ler cada livro várias vezes sem interrupção a fim de interagir com sua síntese. O método sintético não é tão laborioso porque os livros da Bíblia são todos pequenos; mesmo os maiores podem ser lidos em poucas horas.

No método sintético não se faz pausa para estudos prolongados. Faz-se esboços somente. Este método abrange a Bíblia como um todo, e de igual modo cada livro dela, e cada capítulo dentro de cada livro.

O outro método é o analítico. É o inverso do anterior. O leitor não irá longe no estudo analítico se não cuidar antes do método sintético. No estudo analítico dividimos o todo em partes para o estudo detalhado, que podem ser de temas variados, inclusive temas doutrinários, personagens, tipos, etc. Não há quem esgote a Bíblia, pois ele é infinita.

Quanto mais nós estudamos, mais nos humilhamos vendo a nossa insignificância e incapacidade ante a imponência, a grandiosidade, as profundezas e as riquezas da revelação divina em todos os seus múltiplos aspectos.

A regra da leitura sistemática pode parecer simples, mas é produtiva e surte efeitos maravilhosos. Jamais será vã. É confortante saber que a Bíblia é o único livro cujo Autor está sempre presente quando a lemos.

REGRA DA ORAÇÃO

O leitor não irá muito longe no estudo da Bíblia enquanto não aprender a orar. Pérolas preciosas podem ser encontradas na superfície da terra, mas, a regra geral diz que é preciso cavar. A oração evidencia nossa dependência de Deus, nossa vontade, fome e amor a verdade e humildade. Orar é falar com Deus, sendo assim um diálogo e não um monólogo.

Com a prática da oração e meditação diante de Deus, o Pai celestial revela suas grandezas. Existem muitos exemplos na Bíblia: Repare o caso de Salomão (1Reis 3:9; 4:29:34). Confira também Tiago 1:5 e Provérbios 2:3-6. A melhor maneira de aprender a orar é praticando a oração diariamente.

REGRA DO MESTRE

O Espírito Santo é o nosso principal Mestre e Ele nos ensina a Palavra de forma profunda. Não existe outro. Sem a presença do Mestre conosco nada aprenderemos. Ele é o Santo Espírito revelador Efésios 1:17. Só Ele conhece as coisas profundas de Deus (1Co 2:10).

Devemos deixar o Espírito Santo fluir livremente na nossa vida e teremos o Mestre para nos  guiar “em toda a verdade” (João 16:REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

REGRA DA FÉ

Primeiro aceitamos a Bíblia pela fé e depois pela razão. Em outras palavras: A revelação divina transcende os limites do intelecto do homem. Por exemplo: A criação do Universo em Gênesis 1:1 comparado com Hebreus 11:3.

Se o leitor da Bíblia não aceitar pela fé a autoridade das Escrituras está desqualificado para entender as verdades divina. É necessário que tenhamos a Bíblia como autoridade final, infalível e perfeita nos temas tratados por ela.

O Eterno declara um fato e o leitor cuida em crer nele, porque Deus não se inclinará para satisfazer sua curiosidade; ou por outra, para revelar coisas que o leitor não pode suportar, ou para as quais não esta preparado.

REGRA DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL – REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

Nunca devemos parar de crescer no sentido espiritual. O conhecimento das coisas de Deus vem de acordo com nossa capacidade de recebê-Lo, contê-Lo, assimilá-Lo. O crescimento espiritual vem em parte pela obediência à verdade revelada.

Privilégios implicam responsabilidade. Somos responsáveis pelas verdades a nós reveladas (Êxodo 32:7-11). Paulo não pôde ensinar verdades bíblicas mais profundas aos crentes de Corinto, porque os mesmos não queriam deixar de ser “crianças” (1Co 3:1). Muitos deles nem salvos eram (1Co 15:34).

REGRA DOS MEIOS AUXILIARES – REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

Os meios auxiliares são três, destes provem material de estudo, consulta e referencia. Os livros são meios auxiliares e existem milhares deles que servirão como auxilio para o estudante da Bíblia.

Tem livros bons e ruins, no entanto, o estudante não pode ser tentado em ficar o tempo todo com os livros e abandonar a Bíblia. Quem fica todo o tempo só com os livros torna-se um teórico refletor deles, ou seja, de seus autores.

Sugestão de livros:

  • Várias versões da Bíblia para estudo comparativo
  • Uma boa Concordância Bíblica
  • Atlas bíblico
  • Manual de síntese ou chave bíblica
  • Dicionário bíblico
  • Dicionário da Língua Portuguesa
  • Livros de Teologia Sistemática
  • Manual de Doutrinas
  • Um bom comentário da Bíblia

Apontamentos individuais

A memória pode falhar com o passar do tempo. O correto é tomar notas. Tenha o hábito de anotar de forma organizada todos os seus estudos, distribuindo-os por assuntos previamente escolhidos. Se possuir livros, organiza um índice analítico sobre os temas estudados, ele poderá prestar bons serviços na elaboração de seus estudos.

A “memória” dos apontamentos feitos, nunca falham, se feita e conservada de modo organizado.

Conhecimento intelectual

Deus usa linguagem humana na Bíblia para ensinar a verdade divina. A Bíblia menciona de tudo o que é humano para que o homem possa entender melhor o que Deus quer dizer-lhe. Deus mesmo é apresentado na Bíblia como agindo à moda humana, pelas mesmas razões. Devido a isso, procure obter conhecimento intelectual sobre quatro pontos de vista:

1 – Conhecimento gramatical: A Bíblia está em forma escrita, procure obter informações regulares de conhecimentos das línguas originais, a fim de compreender e escrever bem o que lê, ouve e fala.

2 – Conhecimento de vocabulário bíblico e seu emprego na Bíblia: Por exemplo, o termo “justificar” na linguagem bíblica, como na Carta aos Romanos, não tem o mesmo sentido como nos dicionários comuns, vai muito além da acepção. São palavras polissêmicas com duplo sentido como no caso de “testamento” usada no Novo Testamento. Também a palavra “pai”, às vezes, usada apenas como ancestral, como por exemplo em 1Reis 15:11; Dn 5:2-11; Atos 7:2.

Outros exemplos  como a “Guarda Pretoriana”, em Fl 1:13. O termo vem do “pretor” que era um oficial de justiça do Império Romano. Era uma guarda composta por dez mil homens. “Ásia” em Atos 19:10 e Apocalipse 1:4, era a Província romana da Ásia, situada na hoje chamada Ásia Menor, que tinha por capital a cidade de Éfeso. Não se tratava  do atual continente asiático.

3 – Conhecimentos gerais: De história antiga e moderna, antiguidades Orientais, Geografia Bíblica, Arqueologia e Cronologia Bíblica. Muitos personagens da Bíblia foram grandes mestres e conhecedores do saber universal e contemporâneo.

Moisés era versado em toda ciência dos egípcios (At 7:22). Daniel era estadista (Dn 6:2,3,28). Paulo foi um grande erudito de sua época (At 17:28; Tt 1:12), onde ele cita autores seculares.

O crente deve sempre estar atualizado com os acontecimentos, não para exibir-se, mas para estar a par do que se passa no mundo, uma vez que grande parte da Bíblia ocupa-se da predição de acontecimentos mundiais, cujo cumprimento estamos vendo desfilar perante nós, noticiados pelos mais diversos meios de comunicação.

O estudante da Bíblia deve ler muito para melhorar seu preparo e estar bem informado, ampliando e atualizando seus conhecimentos gerais. Quem lê mais, sabe mais! Quem não lê, mal sabe! Mal ouve! Mal vê!. O primeiro versículo do NT ocupa-se de Livros (Mt1:1), e os últimos versículos do NT também (Ap. 22:19).

REGRA DO BOM SENSO OU DA RAZÃO – REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

É o uso da razão, da cabeça. A Bíblia nos foi dada por Deus não só para ocupar o nosso coração, mas também o nosso raciocínio (Hb 8:10). O bom senso tem muito efeito no estudo bíblico, especialmente na linguagem figurada tão abundante nas Escrituras.

Encontramos textos difíceis: é preciso usar, pois, a analogia geral das Escrituras. Não há lugar para contra sensos. Ao encontrarmos um texto difícil, apresentando algum conflito, não pensemos logo que há erro. Na Bíblia as dificuldades são do lado humano, como tradução mal feita, falhas gráficas, falsa interpretação, má compreensão.

REGRA DO TEXTO – REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

Texto é a parte que estamos lendo. Esta regra tem três partes:

1 – Sua aplicação. Esta pode ser quanto ao povo, tempo e lugar.

2 – Seu sentido. Pode ser literal, figurado ou simbólico.

3 – Sua mensagem. Pode ser doutrinária, profética ou histórica.

Deve-se analisar:

  • Quem está falando sobre o texto em questão
  • Para quem está falando
  • Em qual dispensação, tempo ou aliança está falando
  • Para qual propósito está falando

REGRA DO CONTEXTO – REGRAS DE ESTUDO DA BÍBLIA

Contexto vem do latim “contextus” e significa tecido. Trata-se do tecido da história, do fato em questão. Desprezar o contexto é assumir o risco de equivocar na interpretação. É deixar a interpretação ao acaso.

Ignorar o contexto resulta em dar vazão a preconceitos, dogmatismo e especulações sem base no ensino bíblico. As Escrituras, no seu conjunto total, formam uma unidade perfeita, completa.

Não é correto isolar qualquer trecho ou versículo, interpretá-lo e formular doutrina. O resultado disto são as heresias. As seitas se aproveitam de textos fragmentados para adaptarem a Bíblia aos seus padrões doutrinários. Com textos isolados podemos provar os mais diferentes absurdos com a Bíblia nas mãos.

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Autor: Adilson Cardoso – Teólogo – Filósofo – Professor de Teologia, Filosofia, Hebraico e Grego

 

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